quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Conto da carochinha: As duas luas

Nos últimos anos, tem circulado na internet mensagens alertando para o possível aparecimento de um espetacular fenômeno natural no céu da noite de 27 de agosto 2009.

Este tipo de mensagem começou a circular em 2003 quando ocorreu uma oposição de Marte (a altura em que Marte e a Terra mais se aproximam) particularmente próxima, 56 milhões de quilômetros. Essa oposição ocorreu no dia 27 de Agosto de 2003 e foi amplamente noticiada por todo o mundo. Desde então, a história volta a circular frequentemente. Veja a mensagem:


"VALE A PENA" VER DUAS LUAS EM AGOSTO!

(...) Será no dia 27 de agosto de 2009. Todavia, o mais interessante de tudo é que isto estava previsto em um código maya, encontrado na pirâmide ao lado do Observatório Estrelar em Palenque, Chiapas - México.

(...) Duas Luas no Céu! No dia 27 de Agosto, à meia-noite e meia, olhe para o céu. O planeta Marte será a estrela mais brilhante do céu, será tão grande quanto a Lua cheia e estará a 55,75 milhões de quilômetros da terra.

(...) Não perca!! Será como se a terra tivesse duas luas, e este acontecimento só acontecerá novamente no ano de 2287.

Claro, tudo uma grande mentira. Primeiro, que Planetário Internacional é esse de Vancouver? Pequisando no Google, temos: MacMillan Southam Observatory, ao lado do Centro Espacial H.R. MacMillan, em Vancouver, BC, o qual é operado pela Sociedade Astronômica do Canadá. Claro o e-mail não veio do Centro Espacial HR MacMillan. Em segundo lugar, não haverá duas luas no céu, porque a Lua não estará tão visível na hora e data em questão - 27 de agosto de 2009, lua crescente. Em terceiro, O texto segue falando nos “Mayas”. Só isso mostra que é uma tradução muito o da mal-feita, posto que Maias não se escreve com Y. Mas parece que as pessoas pegaram a mania da profecia Maia para 2012.

Este ano irá registar-se uma aproximação máxima, mas a 24 de Dezembro, e terá apenas 88 milhões de quilômetros, o que fica muito longe dos 56 registados em 2003. Pois bem, a Lua estará a 400 mil quilômetros e, por isso, bem mais visível. Segundo os especialistas, algo similar ao que sucedeu em 2003 só acontecerá a 31 de Julho de 2018, altura em que Marte vai estar a 57,59 milhões de quilômetros de distância da Terra. Mas não veremos nada de espetacular, apenas um luz, vermelha e um pouco mais forte que os outros anos, devido essa aproximação.

O Universo é lindo, mas não deixará de seguir as leis da física só porque queremos que haja algum evento espetacular. Marte continuará seguindo sua órbita por muito tempo e não será por causa de um e-mail que ele aparecerá do tamanho da Lua. Aliás, se as pessoas parassem simplesmente para pensar (coisa que repassadores de e-mail não costumam fazer), imaginaria o seguinte caso: a Lua possui 1/6 do tamanho da Terra e é ela quem é responsável pelas marés, por causa de sua força gravitacional. Imaginem se Marte chegasse tão perto assim, ponto de parecer do tamanho da Lua, o que aconteceria? Podemos deduzir: sendo a Lua 9 vezes mais leve e 8 vezes menos volumosa que Marte, próximas a Terra a ação gravitacional dos dois astros somada seria capaz de erguer marés violentas o bastante para inundar nossas cidades costeiras duas vezes por dia. Parece mais um pesadelo não acham? Por isso, é melhor deixar Marte onde está.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Exposição "Galileu, os Médici e a Era da Astronomia"


Há 400 anos, Galileu apontou seu telescópio para
o céu e revolucionou a ciência.

Um telescópio de pouco mais de 91cm usado pelo astrônomo italiano Galileu Galilei, cujas descobertas revolucionaram a astronomia, é a principal atração de uma exposição no Franklin Institute. Em sua primeira viagem para fora da Itália, o telescópio de 400 anos é um dos dois únicos instrumentos ainda existentes usados por Galileu para comprovar a teoria coperniana de que a Terra e outros planetas giram ao redor do Sol, e não o contrário.

Em 1609, Galileu conseguiu construir um telescópio que aumentava 30 vezes a imagem, no qual observou, entre outros, os satélites de Júpiter, as crateras da Lua, os anéis de Saturno. O instrumento chamado luneta era também conhecido como telescópio de refração, um instrumento que se baseou nas propriedades das lentes côncavas e convexas.

A exposição "Galileu, os Médici e a Era da Astronomia", que começa no sábado (29/08) e ocorre até 7 de setembro, é o evento inaugural do Ano Internacional da Astronomia, que marca o 400° aniversário das descobertas de Galileu.

O telescópio de 1610 inclui uma inscrição em uma das extremidades onde Galileu registrou a capacidade de ampliação do instrumento de 20.

A exposição também inclui instrumentos astronômicos e matemáticos do século XVI, assim como livros científicos contemporâneos, mapas e retratos dos duques de Médici da Toscana que governaram a região italiana entre os séculos XV e XVIII.

Galileu dedicou o livro registrando suas descobertas ao duque de Médici Cosmo II, aumentando ainda mais o prestígio e a influência da família nas cortes da Europa, de acordo com a exposição. Muitos dos instrumentos científicos em exposição mostram a intersecção entre arte e ciência, como defendido pela família Médici.

Qual é o tamanho do Universo?

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Quando se fala em distâncias, pensamos logo nas unidades familiares de comprimento, isto é, o metro e o quilometro. No caso do Universo, veremos que estas unidades não são convenientes. Os números são muito grandes e, mesmo em notação científica, a percepção da real dimensão das coisas fica desconfortável. A solução é definirmos uma nova escala para distâncias. Vamos começar nosso passeio pelo Espaço usando as unidades convencionais de medida. Iremos, naturalmente, perceber a necessidade para essa nova escala.
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A distância Terra-Lua é de aproximadamente 384 000 km. Deste modo, nossa viagem hipotética levaria quase 77 horas, isto é, 3 dias e 5 horas. Chegando à Lua é natural que você faça uma ligação para casa avisando que fez boa viagem. Você notará algo estranho na ligação: há um pequeno atraso de 2,5 segundos entre a sua voz e a voz da pessoa no outro lado da linha. Não se preocupe. Não é defeito do aparelho. A explicação é simples. O sinal de microondas emitido por seu telefone é um sinal eletromagnético como a luz. A radiação eletromagnética viaja pelo espaço a uma velocidade máxima de aproximadamente 300.000 km/s. Quando você fala ao telefone na Lua, sua voz leva um pouco mais que 1 segundo para chegar a Terra e a resposta leva o mesmo tempo para chegar até você.
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Vamos imaginar agora que após passar alguns dias na Lua, você decida ir para Plutão, o planeta-anão bem afastado do sistema Solar. Na melhor situação, à distância Lua-Plutão é de cerca de 5.760.000.000 km. Deste modo, nosso ônibus espacial levaria mais de 130 anos para chegar lá. Obviamente, você morreria antes de completar a viagem. Além disso, por mais eficiente que seja a nave, ela não comportaria a carga de combustível necessário.
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Como a viagem é impossível, suponha que você decida telefonar para um amigo Plutoniano que conheceu na Internet. Você precisaria esperar cerca de 5h20min para que seu sinal de voz chegue a Plutão e mais 5h20min para receber a resposta.
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Como você pode ver as coisas estão complicadas. Medir essas distâncias em quilômetros além de serem complicadas, não diz quase nada. Nós só conseguimos perceber o real significado da distância quando calculamos o tempo de uma viagem hipotética ou o tempo de uma chamada telefônica.
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Para superar esta dificuldade, foi definida uma unidade de medida chamada UA - Unidade Astronômica. Esta unidade corresponde à distância Terra-Sol média, quer dizer, 149.600.000 km. Deste modo, a distância Plutão-Sol corresponde a 39,5 AU, quer dizer, Plutão está aproximadamente 39,5 vezes mais afastado do Sol do que a Terra. Vemos que além do conforto, conseguimos perceber melhor as distâncias relativas no sistema solar. A ilustração abaixo mostra o tamanho relativo dos planetas comparados com o Sol.
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Principais características do Sistema Solar:
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Veja os dados do nosso Sol:
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Apesar destes números impressionantes, nosso Sol é apenas uma estrela de quinta grandeza. Depois do Sol, a estrela mais próxima da Terra é Alfa Centauro, distante cerca de 40.700.000.000.000 km (40 trilhões e 700 bilhões de km). Em notação científica, esta distância fica 4,07 . 1013 km. Fica bem mais fácil para escrever mas não ajuda muito percebermos seu real significado. Em termos de unidades Astronômicas, equivale a mais de 272.000 UA.
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Suponhamos, apenas a título de ilustração, que desejássemos viajar até Alfa Centauro. Vamos imaginar que nosso ônibus espacial pudesse fazer essa viagem. Ele levaria quase um milhão de anos para percorrer essa distância (lembre-se que a velocidade do nosso ônibus é de 5.000 km/h). Se por acaso fizéssemos uma chamada telefônica para algum habitante hipotético de algum planeta próximo de Alfa Centauro, precisaríamos esperar 8 anos e 7 meses para ouvir o alô desse habitante, pois a radiação eletromagnética levaria 4 anos e 3 meses e meio para chegar lá e mais 4 anos e 3 meses e meio para voltar.
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Para essas distâncias interestelares, os astrônomos resolveram definir uma outra unidade mais conveniente que a UA. Esta nova unidade chama-se ANO-LUZ e corresponde à distância que a luz (radiação eletromagnética) percorre em um ano. Essa distância equivale a cerca de 9,46 . 1012 km. Nestes termos, a distância Terra - Alfa Centauro é 4,3 anos-luz. Isto nos dá uma idéia bem melhor das distâncias interestelares.
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Uma consequência interessante da enorme distância que nos separa de outros sistemas estelares, é a informação que temos sobre os mesmos. No caso de Alfa Centauro, o que vemos através dos telescópios, diz respeito ao que era a estrela a 4 anos e 3 meses atrás. Se por ventura Alfa Centauro explodir hoje, só ficaremos sabendo daqui a 4 anos e 3 meses (tempo que o clarão da explosão vai levar para chegar aqui). Por outro lado, comparado com a idade das estrelas, esses 4 anos e 3 meses são menos do que uma minúscula fração de segundo.
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O vídeo abaixo mostra as dimensões dos astros, comparando-os.


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domingo, 23 de agosto de 2009

Murais - Universo


Vejam as imagens dos murais produzidos pelos alunos da Fundação Bradesco - AC.











sábado, 22 de agosto de 2009

O céu é o limite... Não para o lixo!

Hoje se fala tanto na preservação do meio ambiente, na seleção e coleta adequada do lixo, no cuidado no descartes de produtos com metais pesados, entre outros. A Disney Pixar lançou um filme muito curioso que relata a Terra, há mais de 700 anos, sem conduções de sobrevivência da espécie humana devido ao alto teor de toxicidade gerada pelo acúmulo de lixo.

Mas acima de nós existe um perigo muito grande. Ao redor do planeta terra pairam, há muito tempo, milhões de detritos. Esse lixo espacial tornarou-se uma crescente preocupação nos últimos anos pelo fato de que colisões na velocidade orbital podem ser altamente danosas ao funcionamento de satélites, pondo também em risco astronautas em atividades extraveiculares e a população que pode se deparar com uma grande parte de uma nave em seu quintal, por exemplo.

Os números não são precisos, mas segundo levantamento efetuado pela NASA (Agência Espacial Norte Americana), calcula-se que existam por volta de 3,5 milhões de resíduos metálicos; lascas de pintura; plásticos; etc., com dimensões inferiores a um centímetro, orbitando nosso planeta. Objetos entre um e dez centímetros, nessas mesmas condições, devem ser cerca de 17,5 mil; e sete mil com tamanhos maiores que dez centímetros. No total, devemos ter mais de três mil toneladas de lixo espacial orbitando nosso planeta a menos de 200 km de altitude.

De acordo com o livro Envisioning Information, do professor Edward Tufte, a grabde lista de lixos espaciais inclui uma luva do astronauta Ed White, perdida na primeira caminhada espacial norte-americana; uma câmera que Michael Collins perdeu próximo à Gemini X e outra perdida por Sunita Williams durante a STS-116, também durante uma atividade extraveicular; sacolas de lixo; uma chave de boca e uma escova de dente.

A maioria desses objetos volta para a Terra, atraídos pela gravidade, em poucas semanas.Devido às órbitas onde foram soltos e dado o seu tamanho diminuto, são facilmente deteriorados durante a reentrada na atmosfera. Fatos como esses não são de grande importância na problemática do lixo espacial. Por outro lado, eventuais colisões entre os objetos (que podem gerar mais peças) constituem o principal problema referente a estes detritos.

Até 1998, mais de 60 janelas de ônibus espaciais haviam voltado à Terra com danos provenientes do espaço. Uma lasca de tinta do tamanho de um grão de sal, orbitando a uma velocidade de 14.400 km/h, pode abrir uma significante cratera de 2,5 cm de diâmetro, com a possibilidade de a janela estilhaçar-se durante a reentrada.

Veja as imagens:



domingo, 9 de agosto de 2009

Astronautas da ISS fotografam grandes centros urbanos

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Anos de trabalho e aperfeiçoamento técnico possibilitaram que astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional registrassem impressionantes imagens de algumas das principais cidades da Terra à noite.

As fotos foram registradas entre 2007 e 2008, e, retratam a grande poluição luminosa que se origina principalmente do excesso de luz que nada faz para aumentar a iluminação noturna útil. É a luz que se espalha horizontalmente e para cima, a partir das fontes de iluminação mal desenhadas. É a luz que ofusca os olhos dos motoristas e proprietários de casas, comprometendo a visibilidade e a segurança.

No início do projeto de mapeamento das vistas noturnas da Terra, os astronautas encontraram dificuldades para obter fotografias nítidas, já que as lentes precisam de um grande tempo de exposição, mas a ISS se move rapidamente. Então eles desenvolveram um tripé colocado sobre uma plataforma que pode ser movida lentamente, compensando a rotação da Terra e o deslocamento da EEI, e possibilitando fazer imagens mais definidas.

As fotos das cidades foram tiradas de uma distância entre 350 e 400 km da Terra.
Veja algumas imagens registradas:

São Paulo foi uma das cidades registradas pelos astronautas da Estação Espacial Internacional. As áreas esverdeadas mostram os bairros mais antigos, iluminados por lâmpadas de vapor de mercúrio; os mais novos, com lâmpadas de sódio, aparecem nas regiões alaranjadas. À direita, Santos e São Vicente.

Buenos Aires vista da ISS. "Não construímos nossas cidades pensando em que cara elas vão ter a partir do espaço", diz a NASA. "As cidades vistas à noite representam uma das mais belas e não intencionais consequências da humanidade".

Acima Seul, na Coreia do Sul, essas imagens só foram possíveis graças a um tripé colocado sobre uma plataforma móvel que compensa a rotação da Terra e o movimento da Estação Espacial.

A Baía de Tóquio também foi objeto do ensaio sobre a Terra vista à noite do espaço. Os astronautas dizem que as cidades japonesas possuem uma luz azul-esverdeada própria, e por isso são reconhecidas imediatamente por eles.

Nos Estados Unidos, Los Angeles chama a atenção pela disposição regular de várias de suas ruas e avenidas. Para a NASA, a cultura, a geografia e a tecnologia deixam uma marca nas cidades e possibilita aos astronautas saberem que parte da Terra estão sobrevoando.



Londres, por exemplo, apresenta as características típicas das cidades européias, segundo os astronautas: as avenidas e estradas correm para fora do centro, como "teias de aranha brilhantes".